Como é o novo tratamento para Alzheimer.
- Jun 9, 2021
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Updated: Jul 21, 2021
Antes de mais nada, para entendermos como este tratamento irá atuar e o que esperar, é necessário entendermos um pouco sobre a patologia da Doença de Alzheimer.

foto fonte BBC News. O aducanumabe tem como alvo uma proteína chamada amiloide, que forma aglomerados anormais no cérebro de pessoas com Alzheimer.
No dia 07 de junho de 2021, a agência de saúde americana Food and Drug Administration (FDA) publicou a aprovação de um novo tratamento para Doença de Alzheimer.
O nosso cérebro é formado por inúmeras conexões entre as células nervosas, que nos permitem desempenhar nossas funções diárias com maestria e de maneira muito natural. Ele dita ao nosso corpo o que fazer, como pensar, se locomover, estabelecer raciocínios lógicos, falar, escrever, como reagir a emoções e tomar decisões. Entre tudo isso, de uma maneira geral, existem algumas “regiões” do cérebro que são mais especializadas em certas funções, por exemplo: o hipocampo. Estrutura responsável pela memória e necessariamente afetada na Doença de Alzheimer.
Até aqui tudo bem, você deve estar se perguntando como o hipocampo é afetado na doença. Uma das maneiras mais bem entendidas sobre como isto ocorre é a deposição de uma substância chama B amilóide no cérebro. O B amilóide é uma proteína que ao se depositar no cérebro causa uma lesão fazendo com que o neurônio não funcione como antes e com isso comece a apresentar problemas nas conexões e em última análise defeitos nas funções desempenhadas por ele. Na Doença de Alzheimer um dos primeiros sintomas que se apresentam é a dificuldade com a memória recente.
O FDA aprovou uma medicação chamada Aducanumab que é um anticorpo monoclonal direcionado a proteína B amilóide. O que isso significa? Significa que o objetivo desta medicação é atuar impedindo que aquela proteína B amilóide se acumule no cérebro e com isso reduza o depósito dela e em última instância diminua também as lesões causadas nos neurônios.
O Aducanumab foi estudado em 3 ensaios clínicos e apenas em um deles observou-se que a medicação reduziu o declínio cognitivo da doença, mas nos 3 estudos foi visto por meio de exames que a medicação reduziu o depósito da proteína B amilóide no cérebro. Devido a estas mudanças nos exames o FDA acelerou a aprovação da medicação para uso clínico.
A demência na doença de Alzheimer não possui um tratamento definitivo que cure os pacientes ou mesmo desacelere e reverta os sintomas. Portanto, esta notícia traz um fio de esperança aos pacientes e famílias que convivem com a Doença, no entanto ainda é necessário prudência para avaliar os resultados futuros destes ensaios clínicos.

Aldo Ceresa é voluntário de uma pesquisa com a nova droga. Fonte: Site BBC News
A medicação ainda não está aprovada para uso no Brasil e deve passar por uma rigorosa avaliação da Anvisa para que isso ocorra.



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