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Nutrição na Doença de Alzheimer


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Pouco se fala sobre a importância do estado nutricional no paciente com Demência na Doença de Alzheimer, por isso vou trazer um pouco deste tema para entendermos a repercussão de possíveis situações nutricionais na evolução dos quadros demenciais.


Muitos vivenciarão pela primeira vez a experiência de estar com um familiar acometido pela doença, afinal de contas, a cada ano são registrados quase 10 milhões de novos casos no mundo. Esta experiência, pode ser mais tranquila ou mais árdua de acordo com o entendimento que se tem sobre o que é a doença, o que esperar do paciente e como reagir diante disso.


Hoje eu vou falar sobre apenas um aspecto, o nutricional, portanto fiquemos atentos pois muitos outros assuntos podem ser explorados no cuidado do indivíduo com Alzheimer.


Você que está lendo este texto já chegou a pensar como é natural o ato de alimentar? Nós escolhemos o alimento por motivos simples como sabor, cor, valor nutricional, frescor, desejo. Às vezes, os preparamos misturando com outros alimentos, às vezes nos alimentamos deles sem nenhum acompanhamento. Por outro lado, a seleção e o preparo de um alimento podem não ser algo tão natural para o indivíduo com demência, mesmo que numa fase inicial.


Para os que ainda não sabem o que é a Doença de Alzheimer, trata-se de uma doença crônica, progressiva e que aos poucos causa uma perda da capacidade de realizar as funções do dia-a-dia. O paciente começa a perder as funções à medida que o declínio cognitivo se inicia. Sabendo disso, voltemos à questão alimentar. Aos poucos e de maneira muito tênue, no início da doença, o comprometimento cognitivo começa a afetar a atenção, capacidade de organização, planejamento e tomada de decisões do paciente fazendo com que não se torne tão natural quanto antes preparar um alimento, planejar uma refeição ou até mesmo escolher o alimento que ele precisa comer. Com isso, de maneira quase desapercebida pela família, o indivíduo doente passa a reduzir a ingesta de alimentos por inabilidade de prepará-los, o que acarreta emagrecimento, possivelmente desnutrição e consequentemente piora a evolução da doença.


Percebam que, como se trata de uma doença crônica, existe um ciclo vicioso de declínio cognitivo --> diminuição da ingesta/aumento da demanda --> perda de peso --> declínio cognitivo, que só pode ser interrompido com uma ajuda externa. Até o momento, gostaria de deixar claro que mesmo em fases precoces da doença de Alzheimer é importante observar o comportamento alimentar e acompanhar o status nutricional do paciente.


Com a evolução do quadro demencial, surgem outras demandas. Em estágios moderados da doença o paciente pode cursar com o que chamamos de dispraxia e agnosia. O que significam estes termos? De maneira prática podemos pensar que dispraxia é uma inabilidade motora, relacionada a coordenação que impossibilita o individuo de realizar certos movimentos, entre eles, movimentos necessários para consumir alimentos, como cortá-los, colocá-los adequadamente no talher e levá-los até a boca. Já a agnosia é a capacidade de reconhecer objetos e compreender o significado deles, do ponto de vista prático, o que acontece é que o doente não consigue mais discernir o que é alimento, do que não é alimento.


Ainda em fase moderada e às vezes tardia da doença, episódios como agitação psicomotora, agressividade, compulsão por alimentos específicos podem contribuir para diminuição da ingesta alimentar e consequentemente perda muscular e pior prognóstico. Na fase mais tardia, os pacientes irão evoluir também com disfagia (engasgos) que poderão diminuir a ingesta alimentar e ainda causar complicações graves como pneumonia ou até mesmo obstrução de via aérea.


Independente da fase da doença, pode existir uma certa limitação relacionada à questão nutricional, portanto é importante o médico ou a família que acompanha o paciente ficarem atentos a possíveis mudanças, monitorar o peso à medida do possível e sempre que necessário referenciar a algum profissional especializado como um nutricionista para avaliar possível desnutrição, fonoaudiólogos para avaliar possível disfagia (engasgos). Você que convive com um paciente com Doença de Alzheimer na família, tem observado com atenção como ele se alimenta?

 
 
 

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